Ela é uma repórter que se sente realizada porque fez a vida inteira aquilo de que mais gosta: TV. E a TV, desde sempre, a fez a pessoa que é hoje: forte, decidida e … realizada. Uma troca mútua. A TV, ela, ambas numa harmonia que já dura quase 20 anos. É importante, porém, ressaltar que o jornalismo não prometeu à carioca um mar de rosas. Nem sempre tudo foi agradável. Houve situações em sua excitante carreira que deixaram a repórter do SBT em perigo e com medo. Uma contradição, porque foi no jornalismo que encontrou conforto e aconchego para viver livre, da maneira como queria.  Mesmo com todos os contrapontos e contratempos dessa profissão, Melissa Munhoz aprendeu a renascer das cinzas dos problemas e a jogá-los para bem longe sempre, com muita autenticidade e garra.

A vontade de se tornar jornalista veio bem cedo – já aos 16 anos – por meio da vivência no colégio, onde sempre buscava fazer trabalhos em vídeo. Gravava, fazia o papel da repórter, da produtora, da editora, da apresentadora, tudo ao mesmo tempo. Esse furacão de trabalho logo chamou a atenção de sua mãe, que por um “não acaso”, era professora de Jornalismo na Universidade Gama Filho e, mesmo querendo que a filha se tornasse professora, um dia perguntou o que ela queria fazer para o resto da vida. E o questionamento foi bom. De repente, o furacão de trabalhos acadêmicos se tornou um furacão das redações das TVs. Melissa entrou para Jornalismo na Faculdade Hélio Alonso (Facha), depois fez monitoria na TV Facha e dali para frente seu talento se tornou algo mais concreto.

O trabalho de sua vida inteira tem sido ser jornalista. Essa é uma palavra que a define. Ela só  sabe fazer isso e o faz com todo o coração e uma determinação de dar inveja. “O jornalismo é um mercado ingrato, mas apaixonante”, ela fala, enquanto relembra que nos seis primeiros meses após estar formada não conseguiu emprego algum e estava sem esperanças. Para Melissa, porém, nada deveria ser obstáculo e ela decidiu que seu sonho não terminaria, como aconteceu com tantos colegas de classe. A nova formanda daquela época decidiu então, a exemplo de Schopenhauer, “pensar o que ninguém pensou sobre algo que todo mundo vê”, e, com isso, foi procurar emprego onde havia vagas, mas ninguém tinha coragem para preenchê-las: o interior. E foi em Cabo Frio que sua trajetória de realizações teve início.

Foi na TV Alto Litoral que sua história começou a ser escrita e desenhada nos mínimos detalhes, moldada por seu talento e abrilhantada pelo serviço mostrado. Chamada para cobrir as férias de um repórter como “freelancer“, ela se viu dois meses depois contratada efetivamente como repórter: um novo passo para o sucesso. Foi em Rezende, um ano depois, que fez seu primeiro ao vivo. “É uma lembrança muito querida”. A partir de então, emplacou no Jornal Hoje e no Bom Dia Rio: “Perdi minha virgindade profissional ali”. E mesmo feliz com tantas vitórias, a carioca que saiu da capital apenas com a esperança de ser jornalista nos bolsos resolveu dar uma guinada em sua carreira e foi para a Record, na qual se encontrou, achou seu norte na profissão, aquilo que lhe dava adrenalina, literalmente: a reportagem policial.

E quem vê essa jovem loira, linda e tão simpática nem diz que por trás de um sorriso aberto quase constante se esconde uma profissional apaixonada pela adrenalina que a reportagem policial provoca. Em uma de suas tantas reportagens, já ficou presa com a unidade da Coordenadoria de Operações Especiais, a CORE, na Vila Cruzeiro mais de três horas durante um tiroteio. Foi um dos episódios traumatizantes em sua vida e o que a fez se isolar dessa confusão da capital, indo para o interior, Campos dessa vez, mas não permaneceu muito mais tempo na mesma emissora.

Com a mesma facilidade de fazer o jornalismo como ele deve ser, Melissa conquistou diversas outras emissoras, como RedeTV, CNT e Band – nas quais aprendeu muito com seus companheiros -, após sair da Record, por insatisfações em seu ambiente de trabalho. Todas essas conquistas são resultado de esforço desmedido e amor por sua profissão. “Me sinto realizada porque fiz de tudo. Tive a sorte de conseguir meu primeiro emprego com seis meses”. E o que considera mais importante em ser jornalista ela já conseguiu fazer por meio da atual emissora em que trabalha, o SBT: “Resolver os problemas das pessoas. Isso é gratificante. Pessoas pedem ajuda pelo Facebook e eu faço o que posso”.

E além de ser essa incrível profissional, é mãe de muitos filhos, mas nenhum biológico. Todos são filhos do coração, conhecidos e adotados ao longo dos anos de profissão. Não se pode dizer que eles “são a cara da mãe”, mas refletem a bondade e o caráter que essa protetora dos animais na horas vagas possui. Melissa é mãe de vários cachorros. Todos eles vieram por causa de reportagens. “Eu tenho que parar de fazer reportagem com cachorro. Já trouxe três aqui para minha casa por conta disso. Se eu continuar, minha casa vira um canil”, conta ela, rindo,  sobre seu carinho com os cães. Além disso, em suas horas vagas, curte ficar com seu marido, com quem já planeja ter filhos. E dessa vez não são os de quatro patas.

Um mix de boa vontade, amor à vida, à profissão, aos animais e, acima de tudo, às pessoas: tudo isso constrói a personalidade da autêntica Melissa Munhoz. Tem pulso firme, fala imponente e confiança no seu trabalho. E por que não teria? Dezenove anos de experiência e passagens por todos os veículos de comunicação formam o currículo dela. Além disso, o reconhecimento de seus colegas de trabalho é um forte indício de sua competência. Seu colega Caio Alex interrompe a entrevista para brincar com sua companheira de profissão: “Fomos colegas na faculdade. Ela é a famosa aqui”, conta, rindo. E o resultado dessa trajetória é abreviado pela carioca: “É um caminho duro. Tem que ter força de vontade e determinação. O importante é correr atrás dos sonhos e não desanimar. Eu nunca desanimei”. E isso definiu seu destino. Ela nunca desanimou.


Gabriella de Souza Motilia – 5º Período

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