Após uma grande carreira de sucesso, apresentador fala da sua visão da comunicação de hoje

O jornalismo está mudando cada vez mais rapidamente. Porém, muitas dessas mudanças não apresentam um aspecto positivo para os profissionais da área. Muitos deles ficam perdidos no meio dessas novidades e acabam tendo que encontrar novos caminhos. O jornalista Fábio Azevedo é um nome reconhecido no cenário da comunicação esportiva do Rio de Janeiro, e desde que saiu do rádio e da TV vem buscando se readaptar ao mercado.

No começo de sua carreira, encontrou uma realidade completamente diferente ao sair da faculdade. Segundo ele, era mais fácil arrumar emprego e estágios naquela época. A internet ainda não era tão dissipada e o impresso funcionava como um dos principais meios de informar a população. Portanto, como podia escolher, resolveu optar por uma de suas antigas paixões, o rádio:

– Comecei na Rádio Tupi, estagiando no jornalismo. Meu sonho sempre foi trabalhar no esporte e consegui, após 4 meses, fazendo jogos e cobrindo treinos. Depois de um ano e meio, sai para o Jornal dos Sports. Mas após 4 meses fui chamado para a Rádio Globo, onde fiquei cinco anos – diz ele, que se formou  pela FACHA do Rio de Janeiro em 1999.

O apoio de sua família à escolha profissional fez com que desde o início tudo fosse mais tranquilo. Principalmente após a saída da Rádio Globo, quando surgiu um novo desafio: a internet. Virou, no ano de 2005, responsável pelo site do Fluminense. Essa experiência iria ajudá-lo bastante no futuro. Mas dois anos depois, uma oportunidade de trabalho na televisão, e ainda por cima na TV aberta, em rede nacional, o fez trocar de ares:

– Em 2007 fui para a TV Bandeirantes. Precisei me adaptar, pois eram oito anos de rádio, com muita influência na cabeça. Depois que consegui tirar os velhos hábitos, minha vida na TV melhorou – fala ele, que, após quatro anos na Band, recebeu um novo convite para trabalhar na ESPN.

fabioazevedo1Sua jornada na telinha foi marcada não só pelas reportagens em campo durante os jogos dos times cariocas, mas em grande parte pelas apresentações de programas esportivos. E, durante esse período, dois acontecimentos mudaram sua vida: o casamento e o nascimento da primeira filha. A rotina ficou mais pesada, por conta da adaptação aos horários.

Entretanto, isso não impediu o vascaíno de continuar batalhando, mesmo quando foi demitido da ESPN. A volta à rádio, uma de suas principais inspirações desde a época de criança, quando narrava jogos de botão, era inevitável. Voltou à Rádio Globo, só que dessa vez como chefe de reportagem, e logo depois à Bradesco Esportes FM, na qual foi chefe de redação e o principal apresentador até o início de 2016.

A carreira de jornalista não é fácil. O mercado do capitalismo, segundo ele, é cruel pois ninguém é avaliado pela capacidade técnica, mas sim pelo número que representa, o salário, e que é muito ruim e doloroso quando se é cortado por este motivo. Não há defesa:

– O papel do jornalismo é a informação. Parece simples, mas não é. Somos contadores de histórias e buscamos revelar os fatos para a sociedade. Hoje, o papel mudou um pouco. O entretenimento, somado ao baixo nível de quem ocupa o espaço, está fazendo o produto final ter qualidade duvidosa – conta ele, que critica a opção pela mão de obra barata em detrimento da qualificada.

Hoje, já com dois filhos e dando cursos de extensão na faculdade em que se formou, Fábio busca ajudar os futuros jornalistas para que possam ser os mais bem preparados possível. Ele não se arrepende pela escolha da profissão, mas reconhece que o futuro está diretamente ligado ao investimento, e enquanto ele não vem, o professor usa sua fama e experiências, adquiridas nos tempos de Fluminense, para lançar um canal no Youtube, seu novo projeto:

-Depende de investimento, algo que ainda não vejo acontecer a curto prazo. Com baixo investimento, a produção cai. Mas penso em outras vertentes para buscar receitas e felicidade. Uma delas é a organização de eventos – diz ele, esperançoso pelo futuro dos profissionais de comunicação.

Se reinventar, se atualizar e se preparar da melhor maneira possível é o futuro da carreira dos jornalistas. Espera-se que todos já saiam da faculdade sabendo um pouco de tudo e, nesse cenário, quem souber mais, ou seja, for mais completo, conseguirá trabalho mais facilmente. O objetivo de Fábio é que os novos comunicadores zelem por sua credibilidade, pois, de acordo com ele, profissionais confiáveis fazem profissões confiáveis.


Victor Nigri- 4° Período

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