Incentivado por amigos e pela família, Luccas Machado decidiu investir em sua carreira musical acreditando que ganharia seu espaço na área. E ganhou

Moreno, alto, cabelos enrolados, com mania de falar “tá ligado” a todo o momento, ele possui um ritual de acender uma vela antes de shows e gravações e não se estressa facilmente, somente com atrasos, porém é considerado “o atrasado” pelos amigos, que também o denominam como “esforçado”. Esse é Luccas Machado, jovem de 18 anos que decidiu dedicar sua vida ao que diz fazer de melhor: a música.

Iniciou com uma banda de pagode junto aos seus primos quando tinha apenas 13 anos e, desde então, não parou. Mudou seu foco e migrou para o rap. Seu primeiro grupo formado foi a Facção ZN, hoje em dia já desfeito. E agora, com seus amigos, integra a Mantrax, formada em 2014, seguindo paralelamente em sua carreira solo, na qual usa o nome artístico de “Elicê”.

Seu grupo Mantrax, formado por ele e mais três amigos, e com toda produção Groove Studio, tem o significado de “mantra dos monges”, uma forma de meditação para eles chegarem ao auge do espírito, com o X no fim que possui um significado para cada integrante. “O meu é secreto, não conto”. Quando um deles decidiu voltar para a faculdade e com planos para casamento, Luccas viu a oportunidade de começar também seu trabalho solo para não sair da área musical.

Sem abandonar o romantismo em suas letras, algo que já vem desde o grupo, a primeira música que produziu foi “Minha vez”, que já tem mais de cinco mil visualizações no YouTube. A princípio era para ser algo experimental e só havia investido para saber a opinião das pessoas a respeito. Hoje em dia, anda lado a lado com seu projeto solo e já possui três músicas gravadas.

Seguir esse caminho não é fácil. “Pode ser que não se consiga de primeira, segunda ou terceira, mas eu sugiro a quem está começando que não desista”. Para isso, o músico participa e organiza rodas culturais, geralmente em comunidades, com o intuito de levar a galera jovem para um caminho longe da criminalidade. “Muitas pessoas não têm contato com esse tipo de cultura, os mais novos nas favelas crescem se espelhando no bandido e não naqueles que estão estudando e depois passam para uma faculdade. Eu acho que a roda cultural pode ampliar o horizonte deles”.

Com tanta dedicação em sua carreira, ele diz que suas maiores influências são as pessoas que estão próximas e não se vê com fãs, mas fica feliz por saber que pessoas fora de seu convívio, e até mesmo de outros estados, acompanham seu trabalho. “Isso é muito maneiro, quero que cresça, quero mais gente vindo. No dia a dia, a gente não vê diferença, mas se eu parar para olhar um ano atrás, muita coisa já mudou e sou grato”.

O jovem sempre recebeu o apoio de todos, principalmente de sua família, já que seu padrasto também é músico. Porém, mesmo não lhe faltando incentivos, ele é considerado o “ovelha negra”, por insistir no lado musical. “Devido a esse mundo ser incerto, eles acabam me alertando: por que você não está estudando em vez de estar fazendo música? Mas sei que isso é porque se importam”.

Mesmo não focado nos estudos no momento, pretende começar sua faculdade de Design de Moda, motivado também por já ter realizado dois trabalhos como modelo para as marcas Colletivo e Naja Company. “Se mais para frente tiver outras oportunidades, eu agarro, não me importo, acho maneiro”.

Modelo nas horas vagas, mas com alma de cantor, quando questionado sobre o que era ser um rapper, eis que lhe surge uma breve dúvida. “Boa pergunta, nunca tinha parado para pensar. Acho que é estar ali passando sua mensagem de alguma forma, fazer com que todos se identifiquem com o que você diz”.

E mesmo com todo empenho para produzir as letras de suas músicas, seus maiores lugares de inspiração são simples: ônibus e sua casa, quando está sozinho. Com isso, ele também prova que um bom gosto musical vai além daquilo que se canta. “Não dispenso ouvir “Thriller”, do Michael Jackson, e “I’m Yours”, do Jason Mraz. São as essenciais”.

Felicidade traduz seu momento atual. Com todas as realizações até então, Luccas afirma que sem fé não se chega a nenhum lugar. O músico acredita em Deus e diz sempre agradecer por suas conquistas e pelas “coisas boas” que diz acreditar que acontecem em sua vida. Sobre seus principais objetivos a nível pessoal e profissional e seu maior sonho, ele não hesita em dizer: “Acima de tudo, ser feliz”.


Tamires Santos- 5º Período

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